terça-feira, 17 de maio de 2005

It's a gay gay world

Esqueci de comentar aqui sobre um dos filmes mais bacanas que vi ultimamente: "O Clube dos Coraçoes Partidos" (The Broken Hearts Club, 2000).

O filme nem teria chamado minha atençao se nao fosse por aquela gracinha do Zach Braff no elenco (sim, o mesmo que atuou e dirigiu em "Tempo de voltar" -- vide post de 04/04), mas o filme todo vale a pena. Aqui, ele faz papel de gay e toda a historia gira em torno das aventuras e desventuras amorosas de uma turma de amigos gays (que pela primeira vez vejo retratados como gente comum que sao... me lembrava demais de varios amigos meus, cada um com seu estilo, basico). É uma especie de "Sex and the City" em versao gay (porque no fundo os males de amor sao sempre os mesmos, nao importa o genero...). Divertidissimo!

Como nao podia deixar de ser, quem me emprestou o dvd foi o Gerardo. É incrivel, mas toda mulher que se preze tem um melhor amigo gay, talvez porque assim a gente nao tenha que se preocupar com a concorrencia. A gente passa uns momentos otimos juntos, ja temos nossas piadas internas e expressoes proprias das nossas conversas (e ainda podemos dormir na mesma cama sem problemas).

Percebi que a medida que a minha amizade com a Rosario ia se desgastando, minha empatia com o Gerardo foi aumentando, o que fez com que minha amizade com a Rosario se desgastasse ainda mais, ao mesmo tempo que a empatia com o Gerardo aumentava. Da pra entender?

Tenho em minha opiniao que o Gerardo é uma pessoa maravilhosa. A Dé, quando esteve aqui, passou um bom tempo com ele e tambem ficou encantada com a gentileza e atençao sincera que ele dispensa as pessoas. Talvez ela nao tenha pego o lado mais "gay" (no bom sentido, claro... como "alegre") e desvairado -- que, como eu, ele so abre para os mais chegados. Mas ainda assim, ele sempre tem suas tiradas de bom humor. E que otimo tem sido para mim conviver com alguem como ele! Em algumas ocasioes, foi ele quem praticamente me tirou do abismo emocional em que me meti aqui.


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E so ele pra tirar sarro e me fazer rir das minhas tendencias a la oriente-medio e working class!!!

Meanwhile... (veja o filme e entenda :))


Ouvindo: Rasha - Azara Alhai (do CD Putumayo presents Romantica)

domingo, 15 de maio de 2005

Ser feliz, segundo Buda

Tem gente que nao concebe isso, mas eu realmente gosto de morar sozinha. Ou de estar sozinha, como seja.

Adoro, por exemplo, como agora, estar em casa sem nada pra fazer, tomar uma cervejinha comigo mesmo -- tambem podia ser um cha, dependendo do dia --, ouvindo as musicas que eu gosto, curtindo o sol que entra pela janela, pensando bobagens sobre a vida. Tao facil ser feliz.

Tambem adoro receber os amigos, é certo. Mas isso é outra historia. Porque tem coisas que a gente so faz quando ninguem esta olhando, e outras que a gente faz pra si mesmo como se estivesse recebendo uma visita, ou como se fosse um presente. Eu, pelo menos, sinto assim. Deve ser porque eu gosto muito da minha propria companhia (se voce nao suporta estar sozinho consigo mesmo, deve ser mais dificil...).

Eu me divirto preparando comidinhas para mim, organizando meu espaço e minhas contas, perfumando a casa com incenso, tirando uma soneca gostosa no meio do dia. Igualmente poderia fazer outras coisas tao divertidas quanto, como ir ao cinema, ou ao supermercado. (Alias, ja reparou como é perfeito ir ao cinema sozinho? Voce pode chegar 1 minuto antes de começar a sessao e sempre vai achar um lugar otimo bem no meio da plateia!).

As vezes, eu me culpo um pouco por focar a minha vida nos meus lazeres e prazeres, e pensar tao pouco em trabalho e responsabilidades. Sim, elas estao ai e nao necessariamente as ignoro, mas sinceramente, acho que ja esta na hora de assumir que meu projeto de vida nao é ser uma pessoa responsavel e trabalhadora, e sim viver intensamente, perdidamente, apaixonadamente, impreterivelmente, hoje e ate quando durar.

Estou fascinada com um artigo que li esses dias sobre os ensinamentos de Buda a respeito da impermanencia. Mudar é parte essencial da nossa natureza, assim como envelhecer, ir perdendo a saude, morrer, e sofrer as consequencias das nossas açoes. Simplesmente nao ha como escapar dessas coisas. Se eu pudesse me manter consciente dessas verdades -- e aceita-las -- todo o tempo, certamente seria muito mais feliz todo o tempo. E cada um de nos tem seus pontos mais faceis ou mais ruidosos de se aceitar nessa filosofia toda.

Essa semana, pela primeira vez, me olhei no espelho e me vi com 30 anos. Tambem nao ha como escapar dessa sensaçao estranha de dar-se conta da realidade, o bom e velho "cair a ficha". Nao é o fato em si que me incomoda, essa parte de ficar velho eu ja entendi. O que incomoda sao esses 5 segundos entre saber e aceitar. A morte é outro ponto que tampouco me causa muito susto (a dos outros, entenda-se... lidar com a ideia de que um dia eu vou morrer ainda é dificil, as vezes).

Conversando com o Gerardo esses dias, a gente chegou a conclusao de que, num relacionamento -- ou melhor, no final de um --, é muito mais facil superar a morte do que o abandono (E quem vier me dizer que a parte que abandona tambem sofre, é porque nunca tomou um pe na bunda). Nao me esqueço de um trecho de Schoppenhauer, que vou citar de memoria porque nao me lembro o nome do livro agora, onde ele questionava: quando um animal devora outro, o que é maior, o prazer de quem devora ou a agonia de quem é devorado? De qualquer forma, é de lei que esse ai tambem sera devorado um dia...

Seria uma inverdade (olha que palavra bonita e delicada) dizer que sempre penso nas consequencias das minhas açoes. Vez-em-quando, faço e digo coisas tao imbecis que, na hora de lidar com as suas devidas consequencias, nao acredito como nao fui capaz de pensar em algo minimamente melhor ANTES. E nao adianta nem se arrepender ou pedir desculpas. Ha situaçoes em que pedir desculpas so serve para manter os dentes no lugar, as vezes nem isso.

Mas enfim, a parte boa que consigo tirar de todos esses ensinamentos de Buda é que TUDO MUDA, de modo que nada pode ser ruim, nem bom, pra sempre. E mesmo as decisoes mais equivocadas acabam se transformando em outra coisa e de tudo se tira proveito.

Eu, que ha uns dias atras andava deprimidissima -- provavelmente porque estava contrariando minha natureza, tentando ser uma pessoa trabalhadora e responsavel -- mal acredito que hoje esteja nessa paz, de bem com a vida e feliz. Claro que tem uma serie de fatores que interferem no meu estado de espirito: viajar, estar com alguem especial, ter a perspectiva de voltar em breve para a minha casa e mais umas boas novas que andam pintando, ajudam muito.

Ler o blog da Si tambem é sempre uma inspiraçao pra mim. Cada vez que eu passo la, tenho vontade de ir a um psicoanalista, porque ela se coloca umas questoes que me fazem pensar em pontos da minha existencia, desses que a gente so ousa tocar quando tem alguem por perto pra assoprar, sabe? Esses dias, ela falou algo sobre viver uma vida "de plastico", ou seja, de mentira, tentando ser o que nao se é. Entao eu me toquei que, no fundo, bastou eu assumir o que sou e voltar a agir de acordo com a minha natureza pra ser feliz outra vez.


Ouvindo: a trilha sonora de Before Sunrise/Before Sunset. Veja (ambos) filme(s), compre o disco, apaixone-se!

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quinta-feira, 12 de maio de 2005

C'est insoportable!

Desisti das aulas de frances na Aliança Francesa aqui em Toluca. Desde a primeira aula, eu e a professora ja tinhamos percebido que eu estava um bocado mais adiantada do que o resto da turma, e no decorrer das aulas eu me dei conta de que nao é o caso de que eu seja uma aluna excepcional, mas a aula dela que é muito lenta (para o meu gosto?). Ela diz que da aula ha mais de 20 anos na Aliança, e realmente parece conhecer bem o idioma e a cultura, tem uma pronuncia impecavel, mas o problema é que so ela fala na aula, os alunos nao. Como é que eu vou aprender a falar frances se no lugar onde supostamente eu deveria poder praticar eu nao tenho chance?

Depois de me aborrecer - e faltar a algumas aulas - nas ultimas 2 semanas, resolvi comentar isso com ela ontem. A resposta que me deu foi que ela "esta apenas seguindo o metodo". Mas, vem ca, depois de mais de 20 anos, que parte ela nao entendeu que se é so uma questao de seguir o metodo, eu posso fazer isso na minha casa, com os livros e o CD? O Instituto Universal ta ai pra isso ha anos.

Essa é a parte chata de ter começado a aprender o idioma com um professor muito bom. O Luis Antonio, que me deu aulas no primeiro nivel na Aliança da Vila Madalena/Sumare, foi um excelente professor. Ele nao acredita, porque eu chegava atrasada em todas as aulas, mas eu fiquei fascinada pela lingua francesa por causa das aulas dele. O mesmo aconteceu com o espanhol, quando tive aulas com o Anton no nivel basico da FFLCH. Depois dele, nao tive nenhum professor (de espanhol) que chegasse aos pes, em materia de didatica.

Bom, mas isso nao significa que eu desisti de aprender frances. Muito pelo contrario, ate o final desse ano eu quero estar afiadissima (ou pelo menos conseguir pedir um quarto de hotel com calefacao em Paris -- e ainda negociar um desconto).

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Brasil x Mexico

Ontem, Mr. M. foi me buscar no aeroporto, me trouxe ate Toluca, e acho que nunca tinha sido tao legal. Conversamos pacas, principalmente falando mal dos mexicanos e estivemos de acordo em duas coisas muito importantes: primeiro, que nao ha nada aqui que seja melhor do que no Brasil (comida, gente, musica, roupa, clima, belezas naturais, economia... enfim, so nao entramos no merito do tequila, mas fora isso, nada); segundo, que deve ser muito mais dificil ficar deprimido em Nova York do que em Toluca.

Logo, entramos de acordo sobre outras coisas tambem, mas quanto ao gosto musical ambos ficamos devendo... Nunca imaginei que ele gostasse de samba (tanto como eu de Bob Dylan)!!!

NYC rulez!

Ter ido para Nova York nesse fim de semana/feriado foi a melhor coisa que eu poderia ter feito nesse momento. Precisava de outros ares, ver gente, me sentir bem, e tudo isso e muito mais rolou nesses dias. Foi super gostoso porque dessa vez nao foi visita de turista (juro que nao cheguei nem perto da Times Square e do Empire State Building). Pelo contrario, fizemos coisas tao mundanas como ir ao supermercado, cozinhar e assistir um video em casa, e tambem coisas ainda mais mundanas como encher a cara de cerveja e tequila num boteco (?!) do Brooklyn e tirar uma soneca à tarde deitados na grama do Central Park, sem contar as comprinhas no mercado de pulgas e nas casas de chá. Senti como se ja estivesse morando la... nao é o maximo?

O clima estava uma delicia, apesar de um pouquinho frio, mas so o suficiente para manter o charme de inicio-de-primavera-em-nova-york, e o sol deu as caras quase todos os dias. E tres pessoas fizeram esse fim de semana especial: a Valeria, o Micah e o James.

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Valeria gatona (como diria o Julio!) e eu

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Nos e o Micah

Nem me lembro a quantos anos eu nao via a Val, mas o legal é que toda vez que a gente se encontra é como se tivesse sido ontem. Fiquei feliz de ver que ela estava super entusiasmada com o lance de morar em NYC, apesar das dificuldades, que sempre tem. Pena que justo no fim de semana ela tinha que trabalhar o dia todo num restaurante bacaninha em Nolita e acabamos desencontrando um bocado. E sei que dei a maior mancada com ela, porque acabei passando a maior parte do tempo com o Micah, mas... o que posso dizer? Meu "enamoramicahmento" (© Juana Maria Berbería Rosa) venceu.

E ele, que é um fofo, foi ainda mais fofo comigo esses dias. Saimos, passeamos, rimos, comemos, dormimos e conversamos pacas, sobre muita coisa: culinaria, musica, arte, relacionamentos, viagens, politica, futuro. Tudo em dois idiomas. E me apresentou o irmao dele, Zach, que é um cara bem bacana e descoladissimo (fora que estava totalmente bebado, mas, enfim, estavamos todos bastante bebados). Dai ja eram tres idiomas. Quase todo o tempo estivemos no Brooklyn, e apesar de ele tentar me convencer de que é um lugar legal para morar, minha ideia de NYC ainda é Manhattan. Mesmo assim, deu pra ver que tem coisas bem legais la. O Jardim Botanico, por exemplo, é um desbunde, ainda mais agora na primavera, quando as cerejeiras estao floridas (segundo o folheto, eles tem uma das melhores esplanadas de cerejeiras fora do Japao) e todas as flores tem um perfume magnifico.

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O Brooklyn Museum tambem é show de bola e morri de pena que chegamos muito tarde e nao tivemos tempo de ver toda a exposicao do Basquiat (de graça, tu crees?) e do Rodin, que eu acho barbaro.

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*****

E no sabado (antes, portanto, porque o passeio no Brooklyn foi domingo) finalmente conheci o James, e passei praticamente todo o dia com ele.

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Breve historico: conheci o James pelo site CouchSurfing quando, em outra(s) ocasiao(oes), nao lembro quando, estava procurando um lugar para passar uns dias em NYC. Ficamos trocando e-mails e, quando vim para o Mexico e ele soube que eu estava trabalhando em uma biblioteca eletronica, se interessou em vir passar um tempo aqui colaborando no projeto (ele é analista de sistemas). Agora, ja chegamos a conclusao de que nao vai rolar, mas a amizade continua valendo.

Tomamos cafe da manha juntos num restaurante latino (porto-riquenho, talvez?) e ele me levou por uns cantos maravilhosos do East Village, fomos ao mercado de pulgas em Chelsea, demos um passeio descompromissado por Chinatown, tomamos cha num lugar super gracinha e terminamos jantando num restaurante etiope (comida exotica, deliciosa, mas com um atendimento sofrivel). Nas palavras dele, ele tenta ser "um cara legal", e consegue. É um cara "pra casar". Deu uma dor no coraçao ter que dizer pra ele que eu ja estava saindo com alguem la... Achei-o inteligente e bem humorado (outra coisa, impressionante, ele é a cara do RK!), fomos descobrindo muitas coisas em comum (outras nem tanto) e a conversa foi facil e gostosa o dia todo. Eu adorei.

Mas americanos sao americanos, e é sempre um espanto depois de passar um dia inteiro numa boa como grandes amigos, voce se despede da pessoa com um "goodbye" xoxo e nem um abraço -- tres-beijinhos entao, nem pensar! Parece uma falta de educação, mas para eles é o contrario. Isso me choca, de verdade.

Pra terminar, como faz tempo que eu nao faço um ranking, ai vai a minha lista das 5 melhores coisas dessa viagem (nao necessariamente nessa ordem, que ai ja é demais):

* tirar uma soneca em plena segunda a tarde deitados na grama do Central Park (detalhe na foto: meus pezinhos descalços ao lado dos do Micah...);

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* passear pelo East Village, papeando com o James. Na foto, ele me pegou de surpresa enquanto passeavamos pelo mercado de pulgas, e a seguinte é um dos jardins comunitarios do bairro;

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* ver o Micah cozinhar -- e depois comer, claro, porque ele é um gourmet, trabalha em restaurantes e tem um gosto fantastico para comida e vinhos. O menu de sabado foi penne arabiatta, e o de segunda, risoto organico de lima da Persia, algo assim, absolutamente exotico e delicioso... da pra resistir?

* ficar adivinhando os idiomas que o povo fala no metro;

* descobrir que o Brooklyn é legal (mas mesmo assim, eu nao moraria la).

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Ouvindo: Sting - The shape of my heart

Descoberta musical fundamental: Gecko Turner (ouça! é tudo!!! o big hit é "Limón en la cabeza")

quinta-feira, 5 de maio de 2005

A heart in New York

Falou em feriado, a primeira coisa que penso é: "pra onde vou?". Dessa vez, nao tinha muito o que pensar. Amanha, la vou eu dar outra mordida na Big Apple!

terça-feira, 3 de maio de 2005

Tres vezes hoje, sempre

Hoje é aniversario da Dé. Liguei la em casa e estava rolando a (tradicional) festa com toda a turma. Se repete todo ano, ja nao é nenhuma surpresa, mas continua porque é sempre bom. Com o simples ruido que vinha pelo telefone, tao familiar, posso imaginar cada detalhe da festa, inclusive os que ja nao estao fisicamente presentes, como as risadas da minha mae. Qualquer um que frequente a nossa casa nao pode deixar de admitir que ela continua presente ali, sempre, em qualquer ocasiao -- e talvez mais ainda nas festas de aniversario da Dé, impossivel esquecer.

Hoje tambem é aniversario do R., que nasceu exatamente no mesmo dia e ano que minha irma. Como é possivel que um contato tao rapido tenha gerado uma empatia tao grande entre duas pessoas que mal se conhecem? Eu, pelo menos, tenho um carinho grande e gostoso por ele, que vai durar pra sempre, como todo diamante. Mesmo que seja so na lembrança.

E hoje recebi e-mail da Juana, passados tres meses sem noticias, e apenas tres dias depois de ter mandado uma carta para ela respondendo as perguntas que ela me fez no e-mail. Definitivamente, continuamos na mesma sintonia, como sempre. Cada vez mais me convenço de que correio, e-mail e telefone sao meros artificios na nossa amizade, porque no fundo nao precisamos realmente deles para saber uma da outra.


Ouvindo: U2 - Everlasting love (this love will last forever...)

quinta-feira, 28 de abril de 2005

Poema

"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de chôro
Desculpa para um abraço ou consolo

Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim (que não tem fim)
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás."

Lembrando do R. e precisando muito de um abraço forte...

Cuernavaca

Ontem finalmente fui a Cuernavaca (esse nome sempre me da vontade de rir), almoçar com o Marco, o Carlos e a Monica, da revista Saude Publica de Mexico. Desde que eu cheguei, o Marco tinha me comentado que o Carlos queria conversar comigo sobre a revista. Alem disso, gosto muito da Monica, e ela ja tinha me falado muito bem de Cuernavaca.

Aproveitei que o Hector (que nos hospedou em Valle de Bravo) me convidou para ir de carro com ele -- e essa parte tambem foi otima, porque o Hector é uma pessoa super agradavel e o caminho que tomamos entre Toluca e Cuernavaca era uma beleza de campos, pueblos, lagos, bosques e curvas -- e aceitei o convite.

Na parte da manha, fui ao centro fazer o roteiro basico zocalo-catedral-museu-artesanato, e a tarde fui encontra-los. O que me chamou a atençao em Cuernavaca é que o centro da cidade nao esta organizado como de praxe, porque a catedral esta relativamente longe da praça central. A catedral é uma das mais antigas do pais, conserva toda a estrutura do seculo XVI, incluindo os afrescos internos e uma estranhissima caveira de pirata na fachada.

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No Palacio de Cortez, onde viveu esse bondoso senhor e hoje funciona um museu regional, vi um mural maravilhoso de Diego Rivera sobre a conquista do estado de Morelos e varias figurinhas de ceramica da cultura pre-hispanica.

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Emiliano Zapata é o heroi por excelencia aqui.

O almoço tambem foi bem bacana, conversamos bastante sobre a revista e tecnologias, fiz toda a propaganda do projeto - como tinha que ser - e acho que todo mundo saiu satisfeito. Fiquei particularmente feliz comigo mesma, profissionalmente.

Quando chego em casa, vem a ma noticia: minha passagem de volta venceu no dia 25 e se perdeu porque ninguem lembrou de mudar a data. E como a reitoria diz que nao vai pagar outra, decidiram que eu é que tenho que pagar. É mole? Me superemputeci com essa historia, porque nunca falamos nada sobre essa passagem ate antes de ontem (26), quando EU me lembrei de pedir a eles que fizessem a nova reserva para junho.

Vamos ver como consigo resolver isso. Se bem que, do jeito que eu estou louca pra voltar pro Brasil, comprava a passagem por minha conta pra semana que vem!


Ouvindo: Zelia Duncan - Beleza facil

terça-feira, 26 de abril de 2005

Oaxaca e Puebla

É impressionante como, com tantas coisas para contar, nao me sobre tempo para escreve-las. Tenho tentado viver em "mono-task mode" para aproveitar melhor a vida, e certamente essa foi uma sabia decisao. No fim das contas, a gente se preocupa demais com coisas que nunca vao chegar a acontecer.

A semana passada foi uma bencao, uma delicia, uma maravilha! Estava com tanta saudade da minha irma, que agora tenho que fazer um baita esforco para continuar vivendo "aqui e agora" e nao com a cabeca o tempo todo no Brasil, porque, claro, estar com ela me traz tantas lembrancas e ainda mais saudade de tudo o que esta tao longe, tao perto.

Mas vamos ao que interessa, ou melhor, ao que interessou: Cidade do Mexico, Oaxaca e Puebla.

Bom, da Cidade do Mexico nem posso falar muito, porque estive trabalhando enquanto ela passeava por la com o Gerardo - e ao final, os dois se entenderam muito bem, quem disse que o portunhol nao funciona? - e, curiosamente, eu nao conheco boa parte dos lugares onde eles estiveram.

Eles foram tambem a Teotihuacan, onde eu estive ha um tempo atras, e é um dos lugares mais impressionantes que ja vi. Pra quem pensava que no Mexico nao havia piramides - ate Caio Fernando Abreu cometeu essa gafe no primeiro texto de "As frangas" - informo que Teotihuacan é so um desses lugares. Aparentemente, os astecas, zapotecas, mixtecas e todos os outros "tecas" que passaram por aqui eram muito bons nisso (vide Monte Alban, Mitla, Cholula, Tulum, so para citar alguns), assim como para inventar nomes (Azcapotzalco, Xinantecatl, Tianguistenco, so para mencionar alguns...). O catalogo de cidades mexicanas podia ser vendido como trava-lingua, e devia fazer parte do kit-fonoaudiologo!

Quando, enfim, consegui me libertar do trabalho - nao sem deixar uma meia duzia de coisas pendentes para tras - pegamos o busao para Oaxaca, a cidade mais prometida por todos os mexicanos que ja conheci. Claro, se voce é de fora, eles vao te dizer que todas as cidades mexicanas sao lindas, mas Oaxaca é realmente uma unanimidade entre eles, tanto pelas riquezas arquitetonicas, como pela culinaria "exquisita", na qual um dos pratos mais afamados sao os chapulines, essas coisas nojentas que nos conhecemos por gafanhotos. E Oaxaca é uma cidade bonita, sim, desde que nao se saia do quadrilatero desenhado para os turistas. Fora isso, sou mais a 25 de marco num sabado de manha.

Outra coisa famosa e tradicional por la sao os chocolates, que tambem servem de base para os moles regionais (negro, rojo, coloradito, almendrado... basicamente sao feitos com chile, chocolate e uma dezena de outros ingredientes). Nas inumeras lojinhas, voce pode ver como eles produzem o chocolate e os moles, e tambem experimentar os produtos. Na nossa modesta opiniao, se instalassem uma fabrica da Dizioli em Oaxaca, eles iam arrasar com a concorrencia.

Para mim, o que valeu realmente a pena da visita a Oaxaca foi o passeio que fizemos a Hierve el Agua, que nao é uma fonte de agua termal, como o nome sugere, mas de agua mineral gasosa, que quando sai da fonte da a impressao de que esta fervendo. Hoje a fonte so da um fiozinho de agua, mas imagino que deve ter sido caudalosa em outros tempos, porque o alto teor de minerais da agua foi formando com o tempo umas cascatas de rocha colorida que é puro espetaculo.

Adoraria colocar umas fotos aqui, mas tive o azar de passa-las a um CD quando acabou o espaço do cartao de memoria da camera, e acontece que nao consigo ler os arquivos do CD. A outra zica do fim de semana foi que perdi meu celular... mas isso tudo ja foi em Puebla.

Tinha lembranças bastante confusas e contraditorias em relaçao a Puebla. Estive la uma unica vez, ha cerca de 2 anos atras, e foi la que eu recebi a noticia de que minha mae tinha morrido. Naquela ocasiao, no meio de toda a angustia e tristeza, eu nao queria ver ou falar com ninguem, e entao fui dar uma volta sozinha pelo centro da cidade, que tem uma arquitetura belissima, da qual eu mantinha uma vaga lembrança.

Dessa vez, mais tranquila, e com a Dé do meu lado, pude apreciar melhor a cidade e descobri que é uma das mais bonitas que ja visitei aqui. Puebla tem uma alegria nas ruas que nao vem dos turistas, apesar de have-los aos potes por todos os lados, mas do povo mesmo, muitas crianças, gente sorridente. Ou eu que estava de muito bom humor. Tambem senti que a sintonia com a Dé estava melhor do que em Oaxaca, e a gente conversou muito muito muito e fez muitas coisas legais juntas.

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Em Puebla, a "exquisitez" culinaria sao os gusanos de maguey. Quer saber o que sao? Sao as larvas de um bicho que cresce no agave (o cactus de que se produz o tequila), fritos e temperados... Esse é de dar agua na boca, nao? Do "suor" dos gusanos tambem extraem o sal com que se toma o tequila, ou melhor dizendo, o mezcal, que é uma especie de tequila produzida a partir de outro tipo de agave, tipico dos estados de Oaxaca e Guerrero.

A Rosario foi com a Gabi e o Gerardo nos encontrar em Puebla, mas ela estava tao irritada e de mau humor que, na volta, ninguem queria ir no banco do passageiro! Eu e a Dé ficamos essa noite na casa do Gerardo, porque no dia seguinte tinhamos que estar no aeroporto as 5 da manha.

E dai, minha irma foi embora... buááááá!!! Ja to com saudades dela...

terça-feira, 19 de abril de 2005

Like the desert miss the rain

Depois de um fim de semana tao bacana, com cheiro de gostar de alguem e jeito de estar em casa, hoje me sinto profundamente só nesse apartamento maior e mais vazio. Sinto falta das risadas, do aconchego, da babel de idiomas, de saber quem vai pagar o proximo taxi, de um abraço gostoso.

Quem me faz companhia é a Anastasia, talvez sentindo mais falta da a variedade de colos do que eu. Estou brava com ela*, mas agora deixo que ela suba e se aninhe enquanto escrevo. Enquanto chove.

Hoje a Dé foi para o Mexico com o Gerardo, passear, que ninguem é de ferro. E eu amo tanto a minha irma que jamais a deixaria passar 2 dias se aborrecendo em Toluca. Mesmo que eu sinta falta dela (tambem).


Ouvindo: Flavio Venturini - Teu olhar, meus olhos

=====


(*) Fiquei na duvida se ia contar isso aqui, porque é muita vulgaridade, mas por outro lado tem um "que" de pitoresco que precisa ser aproveitado. A noite passada, descobri que tinha mais uma visita em casa, nesse caso nao convidada. Ao afastar um movel para ver que diabo era aquele cheiro horrivel empesteando a cozinha, descobri um rato morando ali debaixo. E a doce Anastasia, o que fez? Foi se esconder debaixo do sofa!!! Eu mereço uma gata dessas?

Como nem passou pela nossa cabeça matar o rato, ainda mais aquelas horas da noite, trancamos a porta da cozinha para dormir em paz (o que nao impediu o rato de invadir os meus sonhos...) e hoje pela manha, veio o pedreiro da Rosario caçar o bicho. Missao cumprida. E mais essa pra eu passar a noite sozinha aqui!

segunda-feira, 18 de abril de 2005

Hora de voltar (dessa vez nao é o filme...)

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"Tom, get your plane right on time.
I know your part’ll go fine.
Fly up from mexico.
Da-n-da-da-n-da-n-da-da and he is there,
The only living boy in new york.
I get the news I need on the weather report.
I can gather all the news I need on the weather report.
Hey, I’ve got nothing to do today but smile.
Da-n-da-da-n-da-da-n-da-da he is there
The only living boy in new york

Half of the time we’re gone but we don’t know where,
And we don’t know here.

Tom, get your plane right on time.
I know you’ve been eager to fly now.
Hey let your honesty shine, shine, shine
Da-n-da-da-n-da-da-n-da-da
Like it shines on me
The only living boy in new york,
The only living boy in new york."

Simon & Garfunkel, com uma pequena adaptação...

domingo, 17 de abril de 2005

"Yo gusto porque es mucho bueno!"

Nem acredito! Depois de quase 3 meses por aqui, finalmente tenho um fim de semana recheado de visitas, que delicia!

Finalmente, consegui convencer minha irma a fazer sua primeira viagem internacional (de muitas que virao, espero, se eu continuar nesse ritmo...) e vir passar uma semana comigo no Mexico. É bobo, mas fico emocionada por ela. E muito, muito feliz de te-la aqui comigo, nem que seja por uns pouquinhos dias, e poder lhe mostrar todas as coisas bonitas, diferentes, estranhas, interessantes, curiosas, incriveis, que ja vi desse pais, alem de descobrir coisas novas com ela.

Alem da De -- e nao menos importante -- o Micah tambem veio me ver esse finde, depois de tres semanas desde que nos conhecemos em Zipolite, e antes de voltar pra casa, em NY.

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Esse domingo, fomos a Metepec, uma cidadezinha aqui perto, famosa pelo artesanato bom, bonito e barato. Curiosamente, a maioria das lojas estava fechada quando chegamos (desconfio que acordamos muito tarde esse domingo...) e aparentemente a qualidade da comida la é inversamente proporcional a qualidade do artesanato. So o Micah ficou feliz da vida por comermos pizza, ainda por cima mexicana (e com jalapeños, claro!).

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Como nao posso, e nem quero, resistir aos encantos de um artesanato regional -- entre outros -- acabei comprando uma miniatura de "arbol de la vida", uma representaçao de Adao e Eva no paraiso no inicio do inicio, que é uma das figuras tradicionais da cultura mexiquense nessa regiao. Vai ficar um charme na minha estante de recuerdos de viagem em Sampa... Fiquei imaginando que a Fabi iria curtir bastante Metepec, se estivesse la conosco.

Parenteses salvaguarda: "mexiquense" é o termo para tudo que se refere ao Estado de Mexico, que é geo-politicamente diferente da Cidade do México (AKA D.F.), enquanto "mexicano" se usa para o que se refere ao pais. OK?

Depois do passeio um tanto quanto frustrante a Metepec, mais valeu voltar para casa, entrar em modo preguiça e nos meter embaixo das cobertas pra ver um filminho super sessao da tarde (A Fuga). Depois, fiz um jantar tipico caseiro (enchiladas de mole verde e totopos com guacamole), que por algum motivo acabou causando um reverterio (em diferentes niveis) para os tres! Acho que passei um pouco o ponto do chile...

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Mas fora isso, nos divertimos muito no fim de semana, descansamos, curtimos. Eu, particularmente, ha muito tempo nao tinha um fim de semana tao gostoso, feliz, tranquilo, aconchegante. Pela primeira vez, me senti realmente em casa aqui.

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Amanha é hoje...

Eu sei que eu tenho a tendencia de ver significados ocultos em tudo o que me acontece, mas por outro lado existem sinais que nao se deve ignorar, se a gente quer ter uma percepçao mais, digamos, sutil - e por que nao divertida? - do mundo.

Ha meses venho tentando me libertar de um feitiço que aprisionou minha alma, meu pensamento, meu coraçao, de um jeito tao louco que eu espero que dessa vez nao leve outros 14 anos para passar... Mas aos poucos vou rompendo os fios, me liberando, desapegando, aos poucos. O retorno de Saturno ajuda um bocado nesse aspecto das mudanças, ainda bem.

O que me espanta é que HOJE, exatamente nesse dia que é o amanha que eu esperava, algo literalmente se rompeu de vez: uma pulseira de contas que uso sempre como lembrança, coisa bem simplezinha, mas que foi um presente sincero da anne de B., simplesmente caiu do meu pulso e se esparramou pelo chao. Hoje.

Isso nao tem que significar alguma coisa?

Enquanto isso, espero o voo que chega de Guatemala as 19:05 no aeroporto da Cidade do Mexico...

quarta-feira, 13 de abril de 2005

Amanha é amanha!

Essa ultima semana tem sido quase insuportavel, e sem duvida a mais longa que tenho, desde muito tempo. Como quando a gente quer ir embora logo do trabalho e da meia-noite mas nao da a hora de sair... Mas amanha ja é amanha! E tres semanas de espera sao capazes de mudar a vida da gente. Pra melhor, muito melhor.

***

Ontem, o Gerardo veio para Toluca e acabou ficando la em casa. Para passar o tempo, e porque nos divertimos muitissimo, alugamos a primeira temporada de Sex and the City, uma serie que eu nunca tinha visto (porque nao gosto de TV, e menos ainda tenho TV a cabo), mas é definitivamente deliciosa. A temporada completa dura umas 5 horas, mas nao tive nenhum problema em aguentar ate as 3 da manha para assistir todos os episodios.

O fato de recentemente ter chegado aos 30 garante uma identificação imediata com as personagens e, especialmente, com alguns temas. Por exemplo, nao sei porque (...), mas o episodio 4 é a minha cara, o que ja sabiamos antes mesmo de começar a assisti-lo, nao so porque, como diz a Miranda, "ja nao ha mais homens de 30 disponiveis em Nova York", mas principalmente porque ha muito tempo eu ja descobri as benesses de se relacionar com os carinhas de vinte-e-poucos. Nessa idade, a maioria dos homens ainda nao teve tempo de colecionar e incorporar os medos, neuras, manias, frustracoes e relacionamentos falidos que fazem dos homens de trinta uma armadilha brutal e incompreensivel.

E nos, balzaquianas, tambem temos nossas vantagens e atrativos para eles, nao? ;)


Ouvindo: Pink Martini - Sympathique (Je ne veux pas travailler...)

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Alta velocidade

É tao gratificante conseguir superar limites e fraquezas, e eu admito que tenho sido tao relaxada com isso ultimamente, que hoje, quando o dia ja começou parecendo tao dificil (calcei o pé esquerdo primeiro, tomei onibus errado, TPM imperando), me sinto feliz simplesmente por ter sobrevivido. Ja aprendi que os maus dias vem e vao, como todos os outros. O truque é deixa-los passar, de preferencia em branco, com a certeza de que o proximo vai ser bem melhor.

Alem do que, meu domingo foi bem bacana, o que me deixou ao mesmo tempo cansada e satisfeita. Fui a Ixtapan de la Sal com o Rubén -- o mexicano que conheci em NY e que ainda nao havia podido encontrar por aqui -- e seus amigos motociclistas, uma dessas turmas que andam com motos de verdade (segundo eles, essas são as "normais", as outras sao motonetas). Imagine que eu nem conhecia o cara que ia me levar de carona, mas so o fato de saber que ele tem uma moto BMW dá uma certa segurança, vai...

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Eu, fazendo de conta... e o "ticher" Javier, meu piloto, observando

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Essa foi otima, queria ter uma prova de que realmente iamos a 140 por hora na estrada de Ixtapan a Toluca!!!

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Esse é o Rubén, com a namorada

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Chucho, o quinto elemento

Fora a estrada, o resto do passeio também foi divertido. Eu nao sabia exatamente o que havia em Ixtapan de la Sal, e chegando la descobri que o principal (e talvez, unico) atrativo da cidade é um balneario, que continua fazendo muito sucesso entre as familias mexicanas em busca de um lugar seguro para o piquenique do fim de semana. O balneario me pareceu algo assim como um Wet'n'Wild em Poços de Caldas (nao consigo evitar comparaçoes entre coisas e lugares... afinal, é preciso ter um frame de referencia para tudo na vida).

Mas apesar das crianças que se jogavam aos baldes nas piscinas, e das senhoras catolicas em seus maios com sainha rodada, foi divertido. Fui na piscina de ondas e no tobogan, tomei sol de biquini (quase um escandalo! E adeus bronzeado uniforme de Zipolite...) e fiz novos amigos.

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Tambem curti muito esse lance das motos. Nem precisa dizer que hoje dei uma passadinha no site da Kawasaki, pra dar uma olhada, sabe como é... do jeito que eu me empolgo, na menor provocação, compro uma! Mas no Brasil, seria duro ter uma moto dessas, porque nao dura muito ate que te roubem.

Vou esperar o proximo passeio com a turminha, dai veremos.

segunda-feira, 4 de abril de 2005

SuSan, Frida, Melinda, Natalie e Nicole

Creio que nao houve uma alma catolica que nao estivesse acompanhando, de alguma forma, nesse fim de semana, a agonia do Papa. Nao é incrivel como os designios de Deus sao inescrutaveis? Dos milhoes de pessoas rezando por ele, me pergunto quantos estariam pedindo pela sua saude, e quantos pelo fim do seu sofrimento. Ganhamos a maioria?

Curiosamente, nesse sabado eu estava acompanhada do unico ser catolico que conheço por aqui: o Gerardo. É incrivel como apesar de o Mexico se gabar de ser um pais extremamente catolico e conservador, eu particularmente estou rodeada de companheiros socialistas revolucionarios que nao creem em Deus. Para se ter uma ideia, outro dia comecei uma discussao com a Rosario porque ela achava absurdo o presidente beijar a mao do Papa, e eu achando absurdo ela achar absurdo uma coisa dessas! Na minha opiniao, mesmo se tratando de um Estado que se declara laico, nao respeitar as tradicoes alheias é uma tremenda falta de respeito.

Enfim, entre uma e outra noticia sobre o estado de saude de SuSan (digo, de Su Santidad), fomos dar um passeio em Coyoacan, o bairro onde viveram Frida Kahlo e Diego Rivera, e que nos ultimos anos se transformou na meca da classe media burguesa estabelecida, uma especie de Moema mexicana. Na casa onde eles moraram, atualmente funciona um museu com parte das suas obras - a parte que conseguiram manter no Mexico, imagino.

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Sem nenhuma dificuldade, me lembrei muitissimo da Almira, dona das sombrancelhas mais grossas que ja tive o prazer de conhecer, e com uma personalidade tambem forte como a de Frida. A diferença é que a Almira está quase sempre sorrindo. Fiquei pensando que se a reciproca é verdadeira, Frida realmente deve ter sido uma pessoa tambem extraordinaria. Ja esta na lista das proximas biografias que quero ler.

Mas achei curioso que, apesar de todo o talento de Diego Rivera, e do fato de ele ter sido o "tutor" de Frida, é a figura dela que se sobressai em todos os aspectos, nao so naquela casa, mas inclusive para a curiosidade do publico em geral. Ou alguem em Hollywood teve a ideia de fazer um filme sobre Diego? Ta ai mais uma prova do poder das mulheres...

Nunca tive duvidas sobre isso, e uma das coisas mais bonitas e surpreendentes que descobri sobre o Islam é o profundo respeito que se tem pelo papel da mulher como pilar da familia. O homem prove, mas é a mulher quem cuida, educa, nutre, escolhe. Claro, nao é preciso dizer isso em voz alta, embora no fundo cada uma de nos é bastante consciente do poder que tem sobre os homens.

Deve ser por isso que eu adoro filmes protagonizados por mocinhos desorientados e heroinas doidinhas ("Brilho eterno de uma mente sem lembrança", "As virgens suicidas", "Mrs. Robinson"...). Alias, cinema foi "o" programa do fim de semana, que começou na sexta com "Melinda e Melinda", o novo do Woody Allen, que finalmente voltou a escrever roteiros inteligentes. Gostei muito. Alem disso, tem alguns detalhes recorrentes nos filmes do Woody Allen que absolutamente me cativam: a trilha sonora (jazz, of course), a escolha do elenco (sempre pouco obvio), e o cenario (inevitavelmente Manhattan, meu proximo endereço :)).

Sabado, depois do museu, fomos assistir "Hora de voltar" (Garden State, 2004), filme com a Natalie Portman, que virou uma das minhas atrizes favoritas depois do papel de stripper americana em "Closer", e cuja historia é bem nessa linha que eu disse que adoro. Alem do que, o Zach Braff (que faz o papel principal e é tambem o diretor) é uma gracinha e me faz lembrar muito de alguem...

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Achei duas resenhas bacanas sobre o filme (tem muitas outras mais, é so procurar, mas bom mesmo é ir assistir de uma vez, porque expectativa demais estraga), uma em um blog de alguem que nao conheço, e outra em um site sobre cinema do qual nunca tinha ouvido falar. So para constar.

Sai do cinema com sintomas de gripe e vontade de colo. Voltei correndo pra casa, tomei um banho quentinho e vitamina C para a gripe, mas a vontade de colo só aumentou ainda mais depois de checar meus e-mails... "I wish I could hold you right now". Eu tambem.

E no domingo eu tinha que adiantar umas costuras para ficar mais folgada (mais???) durante a semana, mas acabei indo de novo ao cinema, dessa vez com a Rosario. Na falta de algo melhor, escolhemos assistir "Reencarnaçao", uma historinha sem graça, mal contada, e a Nicole Kidman horrorosa, com uma cara de alienigena a la Star Treck. O que vale a pena é que depois do cinema sempre paramos no Starbucks para tomar um café (chá, no meu caso) e jogar conversa fora. Dessa vez, nem foi tanto papo-furado. Estavamos falando de planos para o futuro, o mestrado que esta quase indo por agua abaixo, minha volta ao Brasil, e a possibilidade de eu ficar por aqui de vez, mas nao sei se gosto muito da ideia.

Pelo menos ja tenho planos sobre o que vou fazer nos proximos meses, ja nao é como ha uns meses atras quando eu me desesperava sem ter a menor ideia do que seria da minha vida num futuro proximo. Faço planos, tenho sonhos, vou tecendo algumas ilusoes, quem sabe? O que mais quero agora é voltar pro Brasil, matar saudades. Depois, muito colo, pra sempre, de preferencia balançando numa rede de frente pro mar...